It takes a great deal of History to produce a little History

Thursday, November 10, 2011

O mosaico do Oceano de Ossonoba (Faro)


Inscrição segundo José d'Encarnação (IRCP nº 35): 
C(aius) CALPVRNIVS [...]NVS  ET G(aius) VIBIVS QVINTILIANVS ET L(ucius) ATTI[VS?...]S ET M(arcus) VERRIVS CEMINVS SOL[VM] TESSELAS [F(aciendum) CVRAR]VNT ET DONAR[VN]T
Gaio Calpúrnio (...) e Gaio Víbio Quintiliano e Lúcio Átio (?) (...) e Marco Vérrio Gémino mandaram executar e ofereceram o solo e as tesselas


O mosaico romano do Oceano, visitável no Museu Municipal de Faro, é uma das expressões mais importantes da Arte da Antiguidade Clássica no território algarvio e um testemunho de influências técnicas, estéticas e culturais do mundo Romano, amplamente difundidas na sua fase de maturidade. Janine Lancha (LANCHA, 2008) analisa os seus aspectos formais, artísticos e simbólicos. Cristina Oliveira (OLIVEIRA, 2010) os seus aspectos técnicos.

Para além desse aspecto primordial, o mosaico constitui também um vestígio material rico em significados potenciais, embora incertos, sobre a história e o urbanismo de Ossonoba Romana.

Sob este ponto de vista, a inscrição da sua doação por um grupo de quatro individualidades identificadas pelos nomes constitui o seu elemento mais importante, apesar de ser omissa no que para nós seria determinante: o motivo da doação e o uso que lhe era destinado, o estatuto explícito dos doadores e a identificação da entidade receptora da oferta.

Todos os autores interpretam – justamente no meu entender – essas quatro personalidades como ocupando um cargo público ou colectivo, pondo de parte a hipótese de se tratar de uma domus privada.

Não há porém consenso sobre o presumido cargo público dos doadores: ou quadrúnviros municipais de Ossonoba; ou dirigentes de uma qualquer associação semipública, socioprofissional ou religiosa.

A forma orientada do mosaico e as notícias de três paredes que lhe estavam associadas fornecem indícios sobre o contexto arquitectónico da divisão onde se encontrava e o leque das suas funções planeadas mais prováveis.

Plano da escavação do mosaico em 1976, segundo Dario de Souza. (Viegas, 2011, fig. 27 p. 100)


A orientação do conjunto em articulação com a reconstituição da via romana de saída poente da cidade dá também vagas indicações sobre a orientação do edifício ou complexo a que pertencia.

Finalmente, o contexto urbanístico dessa parte da cidade de Ossonoba pode ser delineado, determinado pelo edifício do mosaico e por outros importantes achados nas redondezas, assim como pela reconstituição da trama viária e de zonas urbanas articuladas com a antiga margem da Ria.

Reconstituição do urbanismo romano da parte ocidental de Ossonoba (Fraga da Silva, 2006)



Datação

Ao contrário do que continua a ser repetido, tudo indica ser um mosaico de feitura muito tardia, sobre pavimentos de mosaico anteriores. A presença de fragmentos de sigillatas claras D de feição tardia e de uma moeda (talvez de Honório) sob o embasamento do mosaico é determinante e de muito maior peso na datação do que eventuais paralelos formais, cronologicamente muito incertos. Nada na onomástica impede tria nomina tardios, contra que tem sido afirmado (ver adiante a nota sobre Lassère).

O estado da polémica sobre a datação do mosaico e a análise dos elementos arqueológicos publicados será tema de um acrescento posterior a este post, quando tiver todos os elementos reunidos.

Enquadramento arquitectónico da divisão

O enquadramento da esquadria do mosaico com uma estreita parede absidada no topo poente da sala (informação de Maria Maia) enquadra-se perfeitamente nessa datação tardia da 2ª metade do séc. IV ou mesmo dos primeiros anos do V, havendo numerosos exemplos dessa combinação. 

A planta da implantação do mosaico mostra duas paredes que ladeavam o seu comprimento na parte superior à máscara, com um rodapé de estuque pintado. A máscara pode ter definido uma zona de acessos ou nichos laterais, correspondente à interrupção das referidas paredes.

A estratigrafia mostra ainda que o mosaico corresponde a uma reconstrução do pavimento, sobre outro que pode ter sido feito em finais do séc. II ou inícios do III. A descoberta acidental de fragmentos cerâmicos da mesma peça situados acima e abaixo do mosaico revela a pré-existência das paredes ou estruturas de cota superior de alvenarias com materiais cerâmicos, que já existiam antes do mosaico e se mantiveram após a sua feitura.

Tratava-se sem dúvida de uma sala concebida para usos cerimoniais em âmbitos de recepção, cujo foco seria o centro da referido abside, único ponto de onde é possível ler a inscrição e ver a máscara do Oceano orientada.

Não há porém elementos suficientes para definir com segurança nem a sua funcionalidade planeada nem o carácter da edificação de que fazia parte.

Contexto urbanístico

Sobre a reconstituição do urbanismo de Ossonoba ver o post OSSONOBA neste blog.

Pode apenas referir-se que esta edificação se situava numa zona periférica da cidade, onde terá existido um complexo de edifícios colectivos destacados, em torno da via de acesso poente à cidade.

O único edifício explorado nesta zona, sob a actual "Residência Sun Algarve", com a fachada voltada para a via e e com um abside rectangular e pavimento de mosaico mostrou uma ocupação desde meados ou finais do séc. I e uma reconstrução no III, seguido de abandono em finais deste século. No seu espólio encontraram-se vários copos de beber e numerosos alfinetes de cabelo. Poder-se-ia tratar assim de uma loja, ou talvez de um templo.

Pode-se estar assim na presença de um fórum periférico associado a edifícios administrativos, comerciais e religiosos, possivelmente o centro da administração provincial a nível local (ver mais adiante), com funções bem caracterizadas a partir do séc. III e cuja autonomia relativamente ao município se marca pela grande separação física do "centro histórico" de Ossonoba.

A plataforma do ex-convento vizinho dos Capuchos produziu derrubes para sul com abundante material da época de Augusto, incorporado em lixeiras e sedimentos do séc. II e III na base sul da escarpa. Essa plataforma, graças à sua posição estratégica na rede viária local reconstituída, pode ter sido conjecturalmente uma base militar de ocupação militar romana desde o final da República, isto é, o praetorium de Ossonoba, numa situação canónica nos limites da cidade.

Propostas existentes sobre o carácter do edifício

1. Sede de Collegium de Salsarii
A situação do conjunto é suficientemente afastada da ribeira da Ria e das zonas de cais para impedir uma associação topográfica a uma actividade marítima ou portuária ou a um bairro especializado na indústria conserveira. A relação feita por Vasco Mantas entre o local do mosaico e uma fábrica de salgas descoberta na Av. da República, a mais de 260 metros de distância e em contextos urbanísticos distintos, não tem assim qualquer sentido, sendo abusivo poder falar-se de um collegium de salsarii.

2. Sede de Collegium de Navicularii
Concordo com Janine Lancha quando esta autora afirma não ser possível associar univocamente a representação do Oceano e Ventos a actividades da esfera marítima, e portanto atribuir automaticamente ao sítio do mosaico uma função de sede de um collegium de navicularii dirigido por quattrumviri que seriam os doadores do mosaico, seguindo outra hipótese de Vasco Mantas.

Esta inferência débil torna-se ainda mais difícil de aceitar quando o contexto urbanístico do local está radicalmente afastado do centro portuário da cidade e das inevitáveis praças marítimas, onde seria de esperar em princípio a localização das sedes de tais collegia. Porém, a generalização da vulgata desta hipótese depressa transformou o sítio do mosaico em "zona industrial" e "zona comercial" da cidade, sem qualquer fundamentação arqueológica ou elaboração de modelo urbanístico. 

3. Termas ou balneário

A existência de mosaicos com a alegoria do Oceano ocorre igualmente em sítios afastados do Mar, em contextos decorativos aquáticos, nomeadamente em balneários e ninfeus mais ou menos elaborados. 
Surgem assim a decorar fundos ou faces de tanques ou em lagos de fontes e, eventualmente, em pavimentos de divisões onde a água abunda. Esta realidade levou a propor identificar o edifício do Mosaico do Oceano com umas termas ou balneário de um edifício mais vasto. 

Trata-se também de uma hipótese que não tem qualquer base material de sustentação: a presença de estuques pintados em rodapé elimina a possibilidade de contextos húmidos, para além de não haver qualquer vestígio (geralmente muito conspícuos) de estruturas ou revestimentos hidráulicos ou de sistemas de aquecimento.

Identificação dos doadores

 A dedicação do mosaico pelos quatro indivíduos já referidos permanece a chave da questão. Infelizmente, como se viu, a inscrição não assinala nem o estatuto dos dedicadores nem o contexto da doação.

O estudo desta omissão poderá ser a via de investigação mais promissora, procurando-se paralelos tardios deste tipo de dedicações "omissivas" em mosaicos e outras estruturas comparáveis da época. Infelizmente, este estudo sistemático de índole epigráfica permanece ainda por fazer no que respeita ao Mosaico do Oceano. Por agora é apenas possível colocar questões pela negativa:
  • Como já disse, é de excluir-se uma dedicação privada. De facto, uma dedicação neste âmbito seria: ou individual, do proprietário (que não teria que dizer que pagou o mosaico); ou por disposição testamentária (e portanto não doada pelos executores); ou por uma homenagem funerária por parte de familiares, clientes ou libertos. Nestes últimos casos a inscrição não deixaria de assinalar o motivo, o nome do homenageado e o estatuto dos oferentes.
  • É também improvável uma doação religiosa pois tal não seria omisso na dedicatória, seja pela identificação da divindade, do motivo da oferta ou do estatuto religioso dos doadores na colectividade religiosa, se se tratasse de uma.
  • Se fosse uma doação de oficiais num contexto militar/policial estatal, seria igualmente de esperar a identificação do objecto divino ou imperial da dedicação e o eventual estatuto dos oferentes.  
  • Finalmente, tratando-se de uma dedicação semipública ou municipal parece também estranha a ausência dos estatutos dos dedicantes, nomeadamente dos seus eventuais cargos ou escalões na instituição.
Com a datação tardia acima indicada penso que se devem abandonar as tentativas de explicação assentes nos contextos administrativos e sociopolíticos do Alto e do Médio Império e assumir em alternativa o universo de possibilidades característico da 2ª metade do séc. IV.
Nesta perspectiva, o tipo de nome é suficiente para definir os estatutos. Ora, é precisamente o tria nomina num contexto tardio que define e reforça a pertença sociopolítica dos ofertantes, já não como cidadãos romanos mas como honestiores, possivelmente da ordem equestres (Lassère, 2007: 102-3 e 113. Ver o comentário deste autor sobre a leitura da inscrição ILS 9294 de Timgad, da 2ª metade do séc. IV, em que a personalidade mais importante da inscrição é um eques Romanus com tria nomen).
Os doadores teriam assim um estatuto implícito superior a quaisquer cargos municipais explicitados, definidores de uma hierarquia política e social local, pelo que se pode inferir que estes cargos municipais se acompanhavam de estatutos sociais que lhes eram relativamente inferiores. 
O facto de serem quatro (uma tetrarquia) revela constituírem um corpo organizado de poder ao mais alto nível local, seguramente superior aos cargos curiais então existentes, politicamente e socialmente muito desvalorizados. O silêncio relativo a cargos ou iniciativas municipais ou à própria cidade pode interpretar-se como um sinal de estatuto político supra-local e autónomo.
A orientação da inscrição (e da máscara do Oceano) para o foco de poder da sala, onde se posicionaria o ou os dignitários de maior estatuto num contexto de recepção, serviria de lembrete dos doadores e da doação a essa personagem, que pode ter tido um estatuto semelhante ou superior. 
Seja qual for o caso, serviria de elemento de propaganda no sentido do aumento do estatuto pessoal e familiar dos doadores junto de pares e de dignitários superiores, o que se ajusta bem ao contexto de competição feroz pela predominância e estatuto sociopolítico entre as elites do Baixo-Império.
Em síntese, tudo aponta para se tratar de um comité nomeado em regime de comissão de serviço pelo poder imperial, por conta de um dos diversos officia da 2ª metade do séc. IV, para exercer um cargo sub-provincial em Ossonoba.
A ausência da designação dos cargos públicos dos ofertantes e da identidade da instituição pode significar também que elas não teriam sentido no local onde se encontra, por ser evidente, tratando-se naturalmente assim de uma sede desse próprio poder, numa iniciativa de âmbito interno.

Uma nova hipótese: sede de poder provincial no âmbito local

Seguindo esta linha de raciocínio, o edifício do mosaico pertenceria a um complexo palaciano onde se alojava o poder provincial sediado em Ossonoba, separado das magistraturas e cargos curiais, poder esse respeitante nesta época muito provavelmente já não só à cidade mas à região por nós conhecida posteriormente como pertencente ao bispado de Ossonoba e à respectiva província visigótica.
Fica para já por estudar que tipos de cargos em cidades e sub-regiões poderiam corresponder a um tal quadrunvirato, situado demasiado abaixo na hierarquia imperial para vir identificado na Notitia Dignitatum
 
Biografia sobre o Mosaico do Oceano

Nas obras não dedicadas especificamente ao mosaico indicam-se as páginas com referências significativas ao mesmo.
ALARCÃO et al., 1980
Adília Alarcão, Maria Manuel de Almeida e José d’Encarnação, “O mosaico do Oceano de Faro”, Anais do Município de Faro, X, 1980, p. 221-232.

ENCARNAÇÃO, 1984: nº 35, p. 79-80
José D' Encarnação, Inscrições Romanas do Conventus Pacensis, Subsídios para o Estudo da Romanização, Coimbra, 1984.

ENCARNAÇÃO, 1985: 128-9
José D’ Encarnação, “Reflexões sobre a epigrafia romana de Ossonoba”, Anais do Município de Faro,
XV, 1985, p. 125-132 [versão actualizada do texto inserto in Conimbriga, 23, 1984, p. 5-18].

LANCHA, 1985
Janine Lancha,  "O Mosaico 'Oceano' descoberto em Faro (Algarve)", Pinheiro e Rosa (Trad.), Anais do Município de Faro, Faro, 1985, p. 111-124 [versão traduzida do texto “La mosaïque d’ Océan découverte à Faro (Algarve)”, Conimbriga, XXIV, 1985, p. 151-175.]

LANCHA, 2008: 75-84
Jeanine Lancha, "O mosaico do Oceano, o único mosaico figurativo de Ossonoba/Faro" in A Rota do Mosaico Romano. O Sul da Hispânia (Andaluzia e Algarve). Cidades e villae notáveis da Bética e Lusitânia romanas, Equipa MOSUDHIS (Interreg IIIA), Universidade do Algarve, Faro, 2008
(url= http://www.cepha.ualg.pt/mosudhis/rota.pdf; acedido em= 06/11/2011).

LASSÈRE, 2007
Jean-Marie Lassère, Manuel d'épigraphie romaine, 2e. Éd., 2 vols., Picard, Paris, 2007

MANTAS, 1988: 185
Vasco Gil Mantas, “As cidades marítimas da Lusitânia”, in Les villes de Lusitanie romaine. Hierarchies et térritoires, J.-G. Gorges (Ed.) (Talence, 1988), Paris, 1990, p. 149-205.

MANTAS, 1997: 298-9
Vasco Gil Mantas, “As civitates: esboço da geografia política e económica do Algarve romano”, in Noventa Séculos entre a Serra e o Mar, F. Barata (Ed.), Lisboa, 1997, p. 291-293.

OLIVEIRA, 2010: Nº 62, p. 194-6 e 500-4. Múltiplas referências esparsas.  
Cristina Oliveira, Mosaicos Romanos de Portugal. O Algarve Oriental. Tese de doutoramento em História (Arqueologia Clássica), apresentada à Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2010
(url= https://estudogeral.sib.uc.pt/jspui/handle/10316/14291; acedido em= 06/11/2011).

VIEGAS, 2008
Catarina Viegas, “Mosaico do Oceano (Faro): cerâmicas associadas”, in Actas do IV Congresso de Arqueologia Peninsular (Faro, 2004), Promontoria Monográfica 10, J. Pedro Bernardes (Ed.), Faro, 2008, p. 197-214

VIEGAS, 2010: 113-121
Catarina Viegas, A ocupação Romana do Algarve: Estudos de Povoamento e Economia do Algarve Central e Oriental no Período Romano. Tese de doutoramento apresentada à Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2009.
(url= http://repositorio.ul.pt/handle/10451/568; acedido em= 06/11/2011).

VIEGAS, 2011: 99-105
idem, Uniarq, Universidade de Letras da Universidade de Lisboa, Lisboa, 2011 [versão comercial impressa da obra anterior]

S/A, S/D
Sem autor, Mosaico do Oceano, CD, Museu Municipal, Faro, sem data

Aguarda-se com expectativa a publicação do volume II-2 (Algarve Este) do Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal, há muito prometido.

Friday, October 14, 2011

Poster 9º Encontro de Arqueologia do Algarve

9º Encontro de Arqueologia do Algarve, Silves, 21 a 23 de Outubro de 2011.

Há uma versão PDF  aqui, com c 3 MB, 
O texto integral ficará disponível aqui quando estiver pronto.

Localização de achados monetários em sítios do Algarve Oriental
 

Moedas Peninsulares por centros de cunhagem


Circulação Monetária Peninsular no Sul da Lusitânia, nomeadamente na zona de BALSA

Friday, August 12, 2011

Projecto Milreu. A proposta


Reconstituição da villa de Milreu na 2ª metade do séc. 4º da nossa Era

Divulgação científica e cultural sobre a villa de Milreu e o Algarve Romano
Programa de conteúdos para um ciclo de exposições temporárias e para um centro interpretativo permanente



Uma interessante conferência em Milreu na Primavera de 2009, sobre os peixes representados nos mosaicos locais, esteve na origem da constatação do tremendo abandono e subaproveitamento informativo das ruínas da villa romana.
A reunião então de um grupo considerável de pessoas culturalmente e profissionalmente diferenciadas revelou também factos relevantes:

  • O grande interesse pelo lugar e pela identificação, reconstituição e uso das estruturas sobreviventes no passado.
  • A total incapacidade de ler as ruínas e de as relacionar com as edificações originais.
  • Um profundo desconhecimento de tudo o que diga respeito à Época Romana em geral e ao Algarve Romano em particular.

Surgiu assim a ideia de organizar uma exposição temática sobre Milreu e o seu contexto histórico e regional, numa época oportuna em que estava a escrever um estudo sobre Marim (com algumas partes entretanto publicadas neste blogue) e em que a tese de Felix Teichener tinha sido há pouco publicada.

Em Setembro desse ano acordámos apresentar uma proposta mais elaborada, ficando eu encarregue da sua elaboração e apresentação, que se realizou em Janeiro de 2010 à Direcção Regional de Cultura do Algarve, então dirigida pela arqueóloga Dália Paulo.

Este post contém as partes mais importantes dessa proposta.

INTRODUÇÃO

A villa romana de Milreu é a estação arqueológica visitável mais importante do Algarve.

Para amplas camadas do público é o único monumento conhecido dessa época, constituindo um verdadeiro ex-libris do Algarve Romano.

A importância histórica e científica de Milreu transcende no entanto as fronteiras culturais da região. É a villa romana mais bem estudada e com mais referências em publicações internacionais e constitui um exemplar paradigmático de villa hispânica tardia, com aspectos originais que a tornam motivo de interesse permanente por parte de especialistas e leigos.

No entanto, esta importância e interesse estão muito longe de se reflectir nos dispositivos de informação e conhecimento existentes no local.

Existe um larguíssimo hiato entre os vestígios visíveis e o riquíssimo contexto histórico-arqueológico, artístico e cultural que os fundamenta. Na actualidade é virtualmente impossível apreender a reconstituição arquitectónica e decorativa das ruínas da villa na 2ª metade do séc. IV – época do seu apogeu – assim como a história espacial e funcional de Milreu, numa visão diacrónica de mais de 800 anos de ocupação.

Esta proposta tem como objectivos colmatar este défice nos seus pontos mais importantes e contribuir para transformar Milreu numa sala de visitas do Algarve Romano e num possível centro explicativo da Época Romana, a nível regional.

   

AUTORES

Félix Teichner

Arqueólogo, professor doutorado na Universidade de Frankfurt. Sucessor de Theodore Hauschild no estudo do Algarve Romano pela escola arqueológica alemã. A sua investigação sistemática de Milreu (e Abicada e Cerro da Vila) representa um ponto culminante dos seus trabalhos até à data, elevando o nível de conhecimentos sobre o local a um grau nunca antes atingido, materializado na sua tese de doutoramento Zwischen land und Meer.

Destacam-se as escavações originais de importantes sectores da villa, o estudo exaustivo e comparado das divisões edificadas e as reconstituições arquitectónicas e musivárias.

Principal bibliografia do autor sobre Milreu e outras villas romanas do Algarve:

  • Acerca da vila romana de Milreu/Estoi – Continuidade da ocupação na Época Árabe, Arqueologia Medieval, 3, Mértola, 1994
  • Die römischen Villen von Milreu (Algarve/Portugal). Ein Beitrag zur Romanisierung der südliichen Provinz Lusitania, Madrid Mitteilungen, 38, Mainz, 1997
  • Uma nova interpretação da área 21, a partir da da planta elaborada por Sebastião Philippes Martins Estácio da Veiga, sobre a Villa romana de Milreu (Estoi, Algarve) – notícia preliminar. In O Arqueólogo Português, IV, 19,2001
  • Resultados preliminares das últimas escavações na parte rústica noroeste da Villa romana de Milreu. Actas do Encontro de Arqueologia do Algarve 2001, Xelb, 4, Silves, 2001
  • Milreu, ruínas, IPPAR, Lisboa, 2002 (co-autoria)
  • Resultados preliminares das últimas escavações na pars rústica noroeste da villa romana de Milreu, XELB, 4, 2003
  • Breve descrição dos vestígios arqueológicos identificados sob a Casa Rural de Milreu (Estoi, Faro). Estudos/Património, IPPAR, 6, Lisboa, 2004.
  • Cerro da Vila – aglomeração secundária e centro de produção de tintura no sul da província Lusitânia. In Actas do 2° Encontro de Arqueologia do Algarve, Xelb, 5, Silves, 2005
  • Neue Forschungen zu den römischen Villen Lusitaniens. In Akten des Kollquiums Vesprem 2004. Balácai Közlemények, 9, Vesprem, 2005.
  • Produção de tintura no sul da Lusitânia – O caso da estação portuária do Cerro da Vila. In Actas do Simpósio Internacional em homenagem a Françoise Mayet. Setúbal Arqueologica, 13, Setúbal, 2006
  • Imagens da vida de civilizações perdidas – A reconstrução virtual da arquitectura romana em Pompéia (Itália) e no Sul da Lusitânia (Portugal). In Actas do Encontro de Arqueologia do Algarve 2005. Xelb, 6, Silves, 2006
  • De lo Romano a lo Árabe. La transición del Sur de la Provincia de Lusitania a Al-Gharb al-Andalus. Nuevas investigaciones en los yacimientos de Milreu y Cerro da Vila, AESPA, XXXIX, Madrid, 2006
  • Cerro da Vila – Aldeia do mar na época islâmica. In Al-Ândalus espaço de mudança – Homenagem a Juan Zozaya – Mértola 2005. Mértola. 2006 (co-autoria)
  • Subsídios para a restituição virtual da villa romana de Abicada (Mexilhoeira Grande, Algarve), Património-Estudos, 10, IPPAR, Lisboa, 2007
  • La pars urbana tardorromana de la Villa de Milreu (Estoi, Portugal): nuevos descubrimientos y antiguos documentos, Gijón, 2008
  • Entre tierra y mar. Zwischen land und Meer, 2 vols., Stvdia Lvsitana, nº3, Museu Nacional de Arte Romano, Mérida, 2008


Luis Fraga da Silva

Geógrafo humano, membro da direcção do Campo Arqueológico de Tavira. Autor de diversos trabalhos de história territorial e cartografia do Algarve Romano, com destaque para a síntese corográfica da região e para os estudos monográficos: o norte e o leste do território de Ossonoba, Balsa e a sua região, Tavira e o Algarve oriental e os centros do litoral. A problemática das villae tardias e de Milreu tem um papel importante na sua obra mais recente – ainda em curso – sobre Marim romano.

Principal bibliografia do autor sobre temas do Algarve Romano:

  • A região de São Brás de Alportel na Antiguidade. O povoamento romano e a sua evolução posterior; Campo Arqueológico de Tavira, 2002
  • Corografia do Algarve Romano. Reconstituição da costa, do povoamento, da rede viária, dos cadastros e da toponímia. Cartografia e memória descritiva; Campo Arqueológico de Tavira, 2003-7
  • O Santuário do Monte Figo e as rotas marítimas do Algarve Romano in
    O culto de Baal em Tavira; Huelva Arqueologica, 20, 2004 (co-autoria).
  • Tavira Romana e a rede viária do Algarve Oriental; Campo Arqueológico de Tavira, 2005
  • A forma urbana de Ipses/Albur/Alvor; Xelb, VI, Silves, 2006
  • Portos do Algarve Romano: Tipologia, Portus Hannibalis, Lacobriga, Portus Magnus, Vilamoura e Ossonoba; blogue imprompto.blogspot.com, 2005-6
  • O Algarve Romano em voo de pássaro, Apresentação, S. Brás de Alportel, 2006
  • Balsa, cidade perdida; Câmara Municipal de Tavira e Campo Arqueológico de Tavira, 2007
  • Balsa, cidade perdida: exposição; concepção e conteúdos; Campo Arqueológico de Tavira, 2008
  • Marim Romano e o território entre Ossonoba e Balsa; Campo Arqueológico de Tavira, 2009


Sinergia de conhecimento e experiência

A reunião destes investigadores neste projecto representa uma mais-valia única no actual quadro de investigação original sobre o Algarve Romano, através de uma concepção partilhada da História e de dois pontos de vista que se complementam: o da arqueologia e o das ciências sociais históricas.

Ambos os autores têm noções claras da importância cultural da divulgação científica de qualidade, no âmbito histórico-arqueológico da Época Romana, e ambos têm prática demonstrada de elaboração de conteúdos correspondentes, textuais e gráficos, sobre temas de grande complexidade.


OBJECTIVOS E ESTRATÉGIA

Objectivos programáticos

Pretende-se privilegiar o carácter social humano dos vestígios arqueológicos, em detrimento de um antiquarianismo formalista.

Colocam-se assim as ciências sociais históricas como fundamentos das diversas sínteses explicativas sobre Milreu. Procura-se explicar e interpretar o sítio como resultante de longos e complexos processos políticos, socio-económicos, culturais e técnicos que moveram muitas gerações humanas através de um tremendo esforço social, próprio do domínio romano.

Pretende-se também destacar os elementos sobreviventes que são visualmente e esteticamente mais notáveis e apelativos, símbolos principais da riqueza cultural do lugar.

Estes objectivos primordiais concretizam-se através do papel central dado às reconstituições arquitectónicas como nível charneira entre a evidência arqueológica e a sociedade, a cultura e o território da época romana.

Tal abordagem é possível graças às características do local – nomeadamente a extensão das ruínas conservadas e o nível do seu estudo. Assim, a reconstituição da arquitectura (e, secundariamente, da decoração arquitectónica, nomeadamente da musivária) é o tema de maior destaque na presente proposta e os projectos museográficos relacionados correspondem à maior parte dos custos financeiros do projecto.

A arquitectura reconstituída articula-se directamente com a história da ocupação do lugar – através das fases de edificação identificadas - e com as características do seu povoamento, que relaciona o sítio de Milreu com os paralelos de outras villas e com o conceito geral de villa nas suas facetas estrutural, sociopolítica, cultural e económica.

A história do sítio e a sua localização articulam-se por sua vez com a história do Império romano e as suas extensões regionais ao Algarve e ao território de Ossonoba. O contexto regional de Milreu é considerado determinante na compreensão da localização e desenvolvimento do sítio.

A fase de apogeu de Milreu, directamente ligada às ruínas existentes liga-se directamente às características da sociedade romana do séc. IV e ao fenómeno das villas tardias, de que Milreu constitui um exemplo paradigmático.


Estratégia

Pretende-se elaborar uma síntese rica e actualizada, com níveis explicativos de grau de complexidade e detalhe distintos e com uma diferenciação temática adequada a grupos de públicos diversificados.

Distinguem-se três tipos de público:

  1. Público articulado e com hábitos de leitura, detentor de uma cultura geral média ou superior mas portador de um défice relativamente ao conhecimento da Antiguidade Clássica em geral e do Algarve Romano em particular.
    Enquadra-se neste perfil não só a grande maioria dos visitantes que visitam Milreu por sua própria iniciativa como também os professores dos níveis básico e secundário que realizam visitas didácticas ao local e os estudantes do ensino superior e profissional da esfera técnico-patrimonial, para quem Milreu constitui objecto de estudo curricular.
    Este tipo de público constitui o alvo estratégico deste projecto, por ser genericamente o grupo potencialmente divulgador e transmissor de conhecimento para os restantes públicos, através de didactismo formal e informal nas esferas escolar, familiar e da comunicação mediática.

    Também se incluem marginalmente neste grupo os gestores e funcionários da administração e dos sectores culturais e patrimoniais, com poder decisivo ou consultivo sobre temáticas relativas ao Algarve Romano ou que são chamados profissionalmente a escrever tópicos de divulgação histórico-cultural para o grande público.
  2. Jovens estudantes e adultos dotados de curiosidade e imaginação, que privilegiam as imagens relativamente ao texto escrito.
    Inclui-se neste grupo a parte do público que poderá ser estimulada a pertencer ao grupo A e, em particular, a geração futura que se poderá interessar vocacionalmente pelo estudo da História Antiga.
  3. Crianças e adultos sem cultura geral e funcionalmente iletrados, que privilegiam os objectos físicos e os filmes sonorizados relativamente a imagens codificadas ou abstractas. Incluímos neste grupo uma parte importante dos visitantes passivos, integrados em visitas organizadas.
    Relativamente a este grupo o programa pretende elaborar elementos de entretenimento que tornem positiva a memória da visita a Milreu e a experiência de contacto com aspectos da Antiguidade Romana, nomeadamente os elementos mais espectaculares de reconstituição arquitectónica e a compreensão do impacto da passagem do tempo entre o passado e o presente.
O projecto apresenta dispositivos de informação para cada um dos tipos de público descritos.

Usam-se para o efeito dispositivos museográficos complementares. Numa escala progressiva de abstracção: réplicas físicas em tamanho real; cenários físicos em tamanho real; maquetas físicas à escala; apresentação multimédia 3D passiva (vídeo); reconstituições estereoscópicas fixas; apresentação multimédia 3D activa (interactiva); painéis de texto e infografias de desenhos tridimensionais; plantas e alçados arquitectónicos; e composições decorativas.

A informação textual e infográfica (de imagens codificadas, de mapas, diagramas e plantas arqueológicas) que fundamenta os módulos de painéis expositivos e as respectivas edições impressas destinam-se fundamentalmente ao público do tipo A. Ao tipo B poderá ser atingido através da disposição hierarquizada de blocos de texto, através de títulos e destaques

O fundamental do investimento imagético (e dos correspondentes custos financeiros) consiste em reconstituições da arquitectura e dos ambientes visuais do local, em épocas correspondente às ruínas actualmente visíveis. Privilegia-se neste âmbito os públicos B e C:

Réplicas materiais Visão de elementos materiais tal como seriam na sua época original. Modo sensorial simples de revelar os efeitos da passagem do tempo e valorizar os vestígios degradados sobreviventes, sobretudo quando as réplicas se podem colocar in situ. A sua exposição permite ainda a salvaguarda do original.
Cenários Montagens reunindo elementos arquitectónicos e decorativos reconstituídos, réplicas de mobiliário e, eventualmente, manequins vestidos. 
Maquetas comparadas Comparação visual do mesmo terreno em escala reduzida nas duas épocas proporcionando uma integração mental da passagem do tempo e dos seus efeitos na paisagem.
Maquetas didácticas Modelos à escala de edifícios específicos, revelando detalhes arquitectónicos interiores e exteriores e elementos funcionais.
Estações estereoscópicasDescritas mais adiante.
Vídeo Animação 3D, descrita mais adiante.

PROPOSTA

Desenvolvimento de conteúdos temáticos sobre a villa romana de Milreu, ao longo de um período de dois ou três anos.

A proposta materializa-se através de um plano de realização de dispositivos museológicos, em que a responsabilidade dos autores é definida nos tópicos a seguir enunciados:

Ideias

A concepção e projectos de realização da proposta são da exclusiva responsabilidade dos autores.

Conteúdos

Todos os conteúdos são produzidos pelos autores e membros da sua equipa, nomeadamente:

Textos
Imagens e composições infográficas
Planos arquitectónicos e topográficos
Desenho de adereços
Guiões multimédia
Especificações de dispositivos museográficos físicos
Modelo digital 3D (versão elementar)
Os autores podem solicitar ao Promotor elementos documentais e informativos necessários à realização do projecto, nomeadamente fundos cartográficos e estatísticos na posse de instituições públicas.

Colaborações

Os autores podem cooptar outros investigadores ou técnicos de temáticas específicas.

Pré-produção

Os autores produzirão pessoalmente as especificações de pré-produção dos conteúdos finais, ou delegá-las-ão em membros da equipa ou das entidades encarregadas da produção, conforme entenderem ser mais adequado à garantia da qualidade final. Cabe nomeadamente aos autores definir os layouts de pré-produção dos painéis dos módulos expositivos, das animações 3D e de parte das edições.

Realização

A realização dos dispositivos propostos (produção e pós-produção) fica a cargo de terceiros, a designar pelo Promotor, com a anuência dos autores. O Gestor do Projecto articulará as relações entre as partes.

Controlo de qualidade

Os autores ou elementos da equipa são responsáveis pelo acompanhamento e controlo de qualidade da produção de terceiros, com destaque para as artes gráficas e para a revisão e edição final pelos autores de todos os textos e materiais apresentados e publicados.

Os autores são pessoalmente responsáveis por todos os elementos museográficos produzidos ou contratados e têm direito de veto sobre a sua aceitação.

Eventos

Os autores e elementos da equipa apresentarão uma disponibilização programada para a realização de colóquios organizados pela entidade promotora no âmbito de cada fase ou evento museológico, descriminados no faseamento da proposta.

Manutenção dos conteúdos dos módulos expositivos

Os autores manterão uma actualização de conteúdos segundo a evolução do estado dos conhecimentos, a correcção de erros e a experiência adquirida ao longo das apresentações temáticas (módulos expositivos), durante o prazo útil de apresentação e itinerância das apresentações.

 

Conteúdo

Elementos museológicos
Descrição sumária
Público alvo
1. Programa de módulos expositivos

Módulos constituídos por colecções de painéis de textos e infografias e por edições auxiliares.
Cada tema corresponde a cerca de 4-8 painéis A0 de informação.
Os módulos correspondem a exposições autónomas e transportáveis. Podem ser reutilizados noutros locais e ter um carácter mais ou menos temporário, de acordo com as necessidades de programação.
A possibilidade de replicação física aumenta o potencial informativo deste tipo de dispositivo e diminui os custos unitários da sua produção.
1.1 Módulos temáticos parciais
Cerca de 8 temas. Ver plano temático mais adiante, na pág. 21.
Certos temas são passíveis de subdivisões em módulos distintos ou de agregação num só módulo.
A 
1.2 Módulo de síntese    
Incorpora as sínteses temáticas parciais
A 
2. Edições
Por razões de economia apenas se propõe a tradução das folhas de sala e das brochuras dos módulos expositivos. A tradução do livro sobre os mosaicos poderá justificar-se em termos comerciais.
Deixa-se ao critério da entidade promotora a selecção das línguas da tradução.
2.1 Associadas aos módulos expositivos
2.1.1 Folhas de sala
Correspondentes a cada módulo expositivo.
Folheto A4 a preto e branco, em várias línguas.
Incluem toda a informação textual e imagética dos painéis e de outros elementos expostos.
A 
2.1.2 Brochuras correspondentes a módulos ou temas gerais
Brochura impressa a cores, em várias línguas.
Com textos mais desenvolvidos relativamente às folhas de sala.
A 
2.2 Publicações de obras originais
Edições com a chancela do IPPAR ou co-edições com uma editora comercial.
2.2.1 Milreu. Guia Arqueológico e Cultural
Plano a desenvolver oportunamente
A 
2.2.2 O Algarve Romano em voo de pássaro
Plano a desenvolver oportunamente
A 
2.2.3 Os mosaicos romanos de Milreu. Reconstituição e situação original
Catálogo sistemático dos mosaicos.
  • Situação original na planimetria arquitectónica e fase construtiva.
  • Reconstituição geométrica, figurativa e colorimétrica.
Elementos geométricos e figurativos.

Os peixes. Estudo figurativo e biológico.
Aspectos artísticos e técnicos. Paralelos.
Contexto sociopolítico e cultural 
A 
3. Projectos museográficos especiais
3.1 Estações estereoscópicas fixas
Reconstituição arquitectónica e ambiental de 4 a 6 pontos de vista fixos, reconstituídos em estereoscopia.
Estações em sítios pré-definidos da villa: postes com visores estereoscópicos orientados para um dado campo de visão, com slides a cores desse ponto de vista reconstituído (slides tipo viewmaster).
Permite a visualização a cores e em três dimensões das estruturas edificadas reconstituídas, correspondentes ás ruínas actualmente existentes e segundo um ponto de visão realista, à escala real.
Dois visores por poste, colocados à altura dos olhos de um adulto e de uma criança de 8-12 anos.
B/C 
3.2 Maquetas físicas comparadas, na época romana e na actualidade
Duas maquetas na escala proposta de 1:100, da mesma área originalmente abrangida pela villa romana. A
B/C 
3.2.1 Em c. 350
Maqueta do conjunto da villa romana na sua época de apogeu, correspondente à maioria das ruínas sobreviventes.
3.2.2 Na actualidade
3.3 Apresentações multimédia 3D. Reconstituição digital da arquitectura, decoração e paisagem
3.3.1 Vídeo sonorizado
Ver esboço do guião mais adiante, na pág. 22.
B/C 
3.3.2 Aplicação interactiva
A desenvolver oportunamente
B 
3.4 Cenários museológicos em tamanho real
Encenações arquitectónicas e decorativas de partes específicas de divisões da villa. Destaque para os elementos arquitectónicos e para as decorações murais e de pavimentos nas suas cores originais.
C 
3.4.1 Zona do triclínio

3.4.2 Zona da galeria do peristilo
3.5 Maquetas físicas de edifícios específicos
Modelos à escala, entre 1:20 e 1:50.
Com cortes na estrutura que permitem uma visão interior dos edifícios.
Adição de elementos de mobiliário, de produções e de ilustração de actividades humanas.
Acompanhadas de painéis com infografias explicativas. 
B 
3.5.1 Lagar de azeite
3.5.2 Lagar de vinho
3.5.3 Celeiro
3.5.4 Balneário
3.5.5 Templo
3.6 Réplicas físicas em tamanho real
Réplicas de elementos arquitectónicos, reconstituídos com o seu aspecto original.
C 
3.6.1 Mosaico reconstituído dos peixes do peristilo
Painel reconstituído do mosaico dos peixes do pavimento oriental do peristilo.
3.6.2 Elementos da colunata do templo
Três colunas reconstituídas e duas arcadas correspondentes, in situ.
4. Conferências

(associadas aos módulos expositivos e à edição de livros)
A 

Faseamento

O faseamento deriva de da combinação de três factores:

  • Precedência contingente do desenvolvimento de certos tópicos e distribuição do tempo necessário ao desenvolvimento dos conteúdos.
  • Primazia programática dos conteúdos destinados ao grupo de público A relativamente aos dispositivos técnicos e materiais.
  • Distribuição temporal da carga financeira
Elementos Faseamento temporal sequencial 
Fase 1 Fase 2 Fase 3 Fase 4 
1. Módulos expositivos 1.1 Módulos parciais 1.2 Módulo de síntese
2. Edições 2.1.1 Folhas de sala

2.1.2 Brochuras  
2.2.1 Livro Milreu

2.2.2 Livro Algarve Romano 
2.2.3 Livro Mosaicos 
3. Projectos museológicos especiais
3.1 Estações estereoscópicas
3.2 Maquetas gerais  
3.3.1 Video 3D

3.3.2 Aplicação interactiva 3D
3.4 Cenários tamanho real

3.5 Maquetas de edifícios específicos
3.6 Réplicas físicas 
4. Conferências Cada módulo Livro Milreu

Livro Algarve Romano 
Apresentação multimédia

Livro Mosaicos 

 

Precedências

Fases preparatórias e de pré-produção. Relações de precedência entre conteúdos gerais e elementos museográficos.

Elaboração de conteúdos. Fases preparatórias comunsELEMENTOS MUSEOGRÁFICOS Fases de pré-produção
originais

Textos em português 
Textos e figuras 2.2.1 Livro MilreuSelecção de ilustrações

Layout

Revisão de autor

Material de promoção e divulgação 
2.2.2 Livro Algarve Romano
2.2.3 Livro Mosaicos
1. Módulos expositivosSequenciação e hierarquia dos cartazes e elementos museográficosBrochura
Textos em alemão Tradução

Revisão
Folhas de Sala
Painéis expositivos
Legendas e efeitos museográficos
FigurasMapas

Infografias

Fotos e desenhos
Material de promoção e divulgação
Desenhos arquitectónicos: plantas e alçados,

em alemão 
Tradução

Revisão 
3.6 RéplicasProjecto
Modelo digital 3D da villa
e do território
3.1 Estações estereoscópicasProjecto das estações

Selecção de pontos de vista

Correcções e acabamentos dos slides
3.2 Maquetas geraisProjecto 
3.3 Animações 3D em vídeoGuião

Acompanhamento da produção vídeo
3.4 CenáriosProjecto

Selecção de mobiliário e detalhes decorativos
3.5 Maquetas edifíciosProjecto

Selecção dos edifícios e cortes

Selecção de trabalhos, objectos e figuras

Todos os projectos museográficos especiais (itens 3 da Proposta), com excepção das réplicas (3.6), são contingentes do desenvolvimento prévio do modelo digital 3D da arquitectura, decoração e terreno.

Este modelo digital estrutura-se em três níveis de desenvolvimento complementares, progressivamente mais realistas, completos e dispendiosos:


Nível de Animação 3D arquitectónica e paisagísticaProjectos museográficos contingentes 
Terreno, volumetria arquitectónica e desenho de alçados em pequena escala (baixa resolução) para a totalidade do sítio.

Fases construtivas da villa.
3.2 Maquetas físicas gerais comparadas do sítio 
Partes específicas desenvolvidas em grande escala, com decoração detalhada e rendering realista.3.1 Pontos de vista dos slides das estações estereoscópicas

3.4 Cenários em tamanho real

3.5 Maquetas de edifícios com vistas interiores
Terreno em resolução topográfica entre Ossonoba e Milreu.

Totalidade do sítio em média resolução.

Detalhes seleccionados em alta-resolução.
3.3 Animação 3D. Vídeo e aplicação interactiva
 

PROPOSTAS ALTERNATIVAS

Considerando-se o cenário plausível de limitações financeiras e de prioridades exógenas de programação, apresentam-se as seguintes propostas alternativas:

Propostas parciais

1. Fases 1+2
2. Fases 1+2+3

Propostas minimalistas

3. Módulo expositivo de síntese
Edição de livros:    Milreu, Algarve Romano e Mosaicos
Conferências relativas ao módulo e aos livros
4. Conteúdo da proposta 3
Estações estereoscópicas

DETALHES SELECCIONADOS DA PROPOSTA

1 .Plano temático dos módulos expositivos (Item 1.1 da proposta)

1    História, arquitectura e organização espacial e funcional da villa
1.1    Evolução histórica da ocupação de Milreu e do seu espaço edificado
1.2    A villa romana. Modelo de povoamento e instituição social e económica
1.3    Espaços e usos especializados
1.4    Villas romanas do Algarve
2    O Algarve Romano em voo de pássaro
2.1    A Época romana em contexto histórico.
2.2    As grandes fases da dominação romana
2.3    Território e ocupação. Síntese corográfica
2.4    Contexto geoeconómico do Sul da Lusitânia no Império Romano
3    A villa senhorial
3.4    Lugar de lazer rural, de representação social e de sede de poder
3.1    Aposentos residenciais, áreas de recepção e zonas de serviço
3.2    O balneário
3.3    O triclínio
4    O templo
4.1    Interpretações e contexto histórico-geográfico
4.2    Paralelos
4.3    A reacção pagã contra o Cristianismo na segunda metade do séc. IV
5    Elementos decorativos
5.1    Mosaicos
5.2    Elementos arquitectónicos
5.3    A estatuária. O coleccionismo na Antiguidade
5.4    A pintura mural
5.5    Os peixes dos mosaicos de Milreu. Arte e biologia marítima
6    A villa económica
6.1    O lagar de azeite
6.2    O lagar de vinho
6.3    Armazéns e celeiros
6.4    A villa rústica e frutuária: lugar de guarda e de produção
6.5    Divisão dos campos e calendário agrícola
6.6    A economia agrícola e a organização social do trabalho
7    De Ossonoba a Balsa. Enquadramento territorial de Milreu
7.1    Cartografia e síntese corográfica
7.2    Ossonoba. História e topografia urbanas
7.3    Balsa. História e topografia urbanas
7.4     Litoral marítimo e territórios rurais entre Ossonoba e Balsa. Sítios de ocupação romana
8    Milreu e as villas tardias da Hispânia e do sul da Lusitânia
8.1    Paralelos arquitectónicos
8.2    O apogeu das villas tardias
8.3    Milreu e os seus proprietários em meados do séc. IV. Pistas interpretativas

 

2. Vídeo de animação 3D. Elementos do guião (Item 3.3 da proposta)

  1. A villa de Milreu na actualidade e resumo da sua historiografia
  2. O Império Romano. Introdução com zoom geográfico, de Roma à totalidade do Império e à Hispânia.
  3. De Ossonoba a Milreu    
    1. Visão em voo de pássaro da costa do Algarve romano, da cidade de Ossonoba e seus arredores, do território até à Serra e da zona de Milreu sucessivamente ampliada.
  4. Fases arquitectónicas da villa    
    1. Planimetria e alçados reconstituídos. Evolução articulada com a cronologia histórica da Hispania e do Império Romano
  5. Visita a partes seleccionadas da villa    
    1. Percurso cerimonial a partir do acesso Oriental: áreas cerimoniais e sociais
      1. Mausoléus de acesso à villa pela parte oriental
      2. Templo
      3. Átrio de entrada
      4. Balneário
      5. Peristilo
      6. Triclínio
      7. Aposentos
    2. Zona doméstica e de serviço
      1. Átrio e aposentos domésticos
      2. Cozinha e dependências do pessoal doméstico
    3. A villa económica
      1. A possível casa do villicus
      2. Celeiros e produções
      3. Lagares
  6. Mosaicos reconstituídos na sua situação original    
    1. Tipologias estilísticas, contextos arquitectónicos e detalhes sobre os peixes
  7. O Centro Explicativo de Milreu e as suas valências
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Fases construtivas da villa de Milreu, segundo Felix Teichner
Villa romana de Milreu. Fase GH: anos 450 a 850 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase F: anos 350 a 450 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase E: anos 300 a 350 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase D: anos 225 a 300 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase C: anos 125 a 225 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase B: anos 50 a 125 da nossa Era